24 de julho de 2008

«Não te posso dar nada»

"Nunca mais houve ninguém. Aquele amor apagou o mundo. Quando, muitas lágrimas depois, ressuscitámos, estávamos sozinhos. O luto do grande amor torna-nos apenas uma pessoa. E ser uma pessoa é muito para quem já foi nada. Para quem já deu tudo. Jurámos que nunca mais. Assim não. Nunca mais. «Não te posso dar nada», dizem os amantes uns aos outros depois de terem dado tudo. O nada é aquilo que nos lembra aos outros, quando morremos das múltiplas mortes que podemos ter para os outros. Agora contamos a história timtim por timtim. Mas sobra sempre um tumtum. E se ele voltasse? Sim. Se? Chiu."

(Inês Pedrosa, "Instrução dos amantes"

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