28 de julho de 2008

Véu

A solidão entrou sorrateira, pela frincha da porta do quarto. Pelas gretas da janela, talvez. Entrou. Instalou-se debaixo dos lençois, apegou-se a mim fazendo-me sentir frágil e fria, como se me envolve-se num manto negro, gasto, só.
Trouxe com ela o medo que se colou a mim, também, e me resfriou com uma aragem de insegurança.
Agarrei-me assim à almofada, como quem se tenta agarrar a algo seguro, familiar.
Tentei fechar a janela, encostar mais a porta, mas a solidão não se foi embora. Passaram-se as 2h, as 3h, as 4h, as 5h e até as 6h.
Começou outra vez o dia, e este véu não me deixa. E eu penso que talvez já fosse hora de ver a luz, pois o dia traz consigo o calor e o sol. Mas infelizmente é apenas um disfarce, não passa de um inútil disfarce, e não me leva o medo, a dor, a angústia na garganta, a solidão oportunista. O calor não me traz conforto, nem tão pouco aconchego ou segurança.
Este manto negro que me envolve, consegue ser mais forte que o sol.
Já é dia no meu quarto, no entanto sempre que eu entro, uma nuvem escura paira sobre o meu espírito. E é assim, e vai ser assim. E não se resume ao meu cantinho.
Talvez através desta cortina espessa, ainda possa ver uma réstia de esperança.

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