22 de agosto de 2008

Se não fosse sempre assim

Estranho esta nostalgia,
Mas não ligo durante um tempo.
Até que os sinais vão encaixando.
Há qualquer coisa no ar que me parecia,
Mais uma coincidência do momento.
Torna-se um jogo de torturas
Uma jaula com dois prisioneiros
Parece não haver saída nem remédio
Possui-me, envolve-me em loucuras
Até que o relógio perde todos os ponteiros.
Deixa-me sozinha durante tempos
Abandona-me, e eu refugio-me onde posso
Volta e habitua-me à serenidade.
Trai-me outra vez, penso que já não posso
E aguento mais um pouco, com humildade.
Envolve-me constantemente num véu,
Esconde-me o rosto e tudo o que quer transparecer
Aprisiona o meu coração e a minha alma
Impede-me de ir ao céu,
Não me dá provas palpáveis de o ser.
Atrapalham-me todos os sentidos,
Sinto-me feliz e ao mesmo tempo cansada.
Nada faz sentido e de repente faz tudo.
Como se encaixassem capítulos repetidos
Como se tudo me envolvesse numa luta gelada
Em que o adversário me supera e me desiludo.
Apercebo-me tarde demais de que vem para ficar
Então deixa-me pequena, com um simples toque
Até que me resumo a uma greta,
Sinto mais que poderia alguma vez imaginar,
Oxalá, fosse outro amor da treta.

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