O meu bisavô lembrou-se de mim. Quando me viu, disse logo: "Rita!" Os olhos azuis claros brilharam, e o sorriso abriu-se como naquela antiga fotografia esquecida na casa da serra. E eu com as lágrimas a bailar nos olhos, sem as deixar cair. E um abraço forte, sim ainda bem forte. Com aquela força dos 93 anos.Quando era pequena, sempre me lembro de me mostrar caminhos pelas serras, de me falar das raposas, dos javalis, das águias. E eu tenho tantas saudades desse tempo, que todo ele trás ao de cima o que há de mais nostálgico em mim.
O meu bisavó é o homem com a maior personalidade que alguma vez conheci, teimoso, inteligente, egoísta, aventureiro, genuíno. Tudo isto numa só frase, num só passo. Tudo isto em toda a sua vida...e será até ao fim.
Talvez seja por isso que sempre que vou à sua antiga casa na torre, me percorrem o corpo arrepios, mas não arrepios de frio. Há lá demasiado passado, demasiada presença humana. Demasiados anos. Já agora, que sejam mais uns quantos. Os suficientes para poder visitá-lo todos os dias, e poder dizer-lhe o quanto gostava quando me enganava, dizendo que as casas ao cimo das montanhas eram as da pequena Heidi e do Pedro.
E como eu gosto de pensar que eram...
1 comentário:
Lindo...... este texto.
É só!
Enviar um comentário