3 de novembro de 2008
De manhã
O sol através da janela da tua casa. O sol que vai direito à gaiola do pássaro na janela grande: os meus olhos através do vidro do autocarro: o meu coração a bater todos os dias através dessa visão. Todos os dias. Do lado esquerdo, no banco esquerdo. A cortina, podia fechá-la mas não consigo. As minhas mãos enregeladas do frio, dentro do meu estomâgo uma sensação quente. E parece que vou desmaiar. Depois já não invado as sensações, as sensações invadem-me por completo. A mémoria fica suja, triste e velha dentro de mim. Este momento é 1 segundo, mas também é muito mais. Uma canção na tua janela, um beijo na tua janela, um pedido na tua janela, um abraço, uma brincadeira, uma gargalhada, um pássaro na tua janela. Por vezes, penso que sou esse pássaro. Depois a saudade: a angústia e o silêncio: o esquecimento.
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1 comentário:
Como eu conheço essas sensações. Parece que passa tudo por nós e somos os únicos a ver, a reparar. Mas como gostava de ver ainda mais.
Devias escrever um romance, tens muito jeito. :D
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