De ódio, se enchem os meus olhos
Contra uma alma transparente
Que me desgasta o coração
Que me atira ao chão,
Como se procura-se os meus próprios escolhos
Como se morresse lentamente.
Outra vez.
Não estás aqui.
Continuo deitada no sítio onde me deixaste.
Começo a deixar de pensar, a tremer
Sem saber o que fazer, sem saber o que querer
Grito num sussuro, não estás aqui.
Choro de felicidade, raiva: pura raiva de desgaste.
Outra vez.
Acelero a respiração, como se respirasse outro ar
Tornei-me num corpo sem alma que não escolhi ter
Fecho os olhos e digo: não vai ser assim
Mas já não nem me consigo convencer a mim
Que nunca é tarde para mudar
Como escolhemos viver.
Outra vez.
Olho a sombra da porta, chama por mim.
Continuo no chão, ainda
A apanhar estilhaços sem conserto
Sinto-me pequena, num aperto
Olho o telefone, chama por mim
Mas espero, espero pela tua vinda.
Outra vez.
Não te sinto ou oiço entrar
Há vozes na minha cabeça
Sorrio para ti: num sorriso de amor
Já não me faz diferença, a dor
Tudo vai fica no sítio, a observar
Eu às voltas tão sem mim, com leveza, sem certeza.
Outra vez.
1 comentário:
Poeta :D
Gostei muito, não sabia que também tinhas muito jeito na poesia.
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