6 de dezembro de 2008

The same (un)happy Christmas

Sempre pensei no Natal como uma época calorosa e acolhedora, quando era pequenina. Agora, que sei que as desgraças e tragédias da vida das pessoas são mais que muitas, já não é bem assim. Os anúncios das barbies e das bonecas já não me tapam a vista às coisas que já vi e passei: à realidade.
Este Natal, vai ser como os outros, porém, desde que o meu avô faleceu, nada é igual. Lembro-me do último Natal que passámos com ele. Não sabiamos (eu e o meu irmão) o que lhe oferecer, então tirámos uma fotografia os dois para lhe oferecer. Quando me deu um beijo, deu-me também um abraço muito forte, como se tivesse medo e voltasse a ser pequeno. Eu senti isso. E lamentei, que enquanto fui pequena não lhe dei tantos abraços como talvez ele precisasse. Mas era uma criança e as crianças não entendem bem que os adultos por vezes precisam de atenção redobrada. Quando o meu avô foi para o hospital, não o fui ver. Passou uma semana, não o vi. Via a minha mãe chegar a casa com o olhar vazio, já sem esperança. Foi então que percebi, uma tarde quando a minha mãe chegou, que nunca mais poderia abraçar o meu avô como gostaria, com a força e ternura com que me abraçou no seu último Natal aqui.
Por vezes, sinto que me está a ver quando penso em fazer algo de errado, e nessas alturas, não o faço: sorrio.

6 comentários:

Anónimo disse...

quando li até me vieram as lágrimas ao olhos ritinha,está muito sentido e nota-se que foi escrito com muita força * you can count on me

Catarina disse...

Senti precisamente o mesmo sentimento quando o meu avô faleceu, senti falta daquele abraço profundo que ele me dava sempre que me via, daquelas simples palavras que me dizia!
Agora que a época natalícia chegou ainda sinto mais falta de todos os carinhos que ele me dava, sempre que chega o dia de natal lembro-me dele, e nesses momentos estabelece-se uma grande tristeza interior dentro de mim, mas por segundos penso que ele esta a olhar por mim e que um dia quem sabe as não se “voltemos a ver”…
Beijinhos Rita :)

Teresa disse...

Sabes o que ganhamos com a idade? Saudades... das pessoas, dos acontecimentos, dos sentimentos que não voltarão. É essa a herança que transportamos connosco para onde quer que formos. Tudo o que vivemos vive em nós, sempre. São as memórias que dão sentido ao que somos e ao que fazemos. Nós somos uma história e dela fazem parte também os erros, os fracassos e aquilo que gostaríamos de ter feito diferente. Aqueles que te amam amam-te por tudo o que és.

N R disse...

Senti o mesmo quando o meu avô morreu, chorei, chorei como nunca tinha sido capaz. Mas agora, apesar de não chorar parece que o sinto mais, cada vez mais presente, cada vez mais saudades

Joana ' disse...

O texto está lindo! Tenho a certeza de que o teu avô está, lá no céu todo orgulhoso a olhar para ti e a comentar:
"- estás a ver aquela rapariga bonita ali em baixo? é a minha neta...!"
:)

beijinho

Anónimo disse...

Ainda ñ passei pela experiência de perder alguém assim tão próximo. Mas já senti o msm que tu, por altura do Natal. Estranhamente, era muito miúda, com 11 ou 12 anos. Entretanto, aprendi a lidar a percepção da mortalidade e com a fealdade do mundo. Aprendi a ver o outro lado. E só assim é possível viver, senão enlouquecemos ;)

Beijinhos e bom feriado*