Em primeiro lugar, quando penso na revolução do 25 de Abril de 1974 imagino sempre a primeira vez que o meu avô me contou a história.
Na minha cabeça, imagino muito vermelho. De sangue, de cravos.
Vejo homens vestidos de verde escuro, exaustos de ouvir nomes como Salazar, como PIDE, ou como Estado Novo.
Vejo rostos marcados por uma altura difícil na história de Portugal, rostos de mulheres cheios de alegria misturada com desconfiança, de crianças a escutar o rádio curiosas e divertidas, de toda a algazarra pelas ruas de Lisboa, das pessoas a gritar, de pessoas a cantar "A gaivota".
Depois, imagino o meu pai pequeno, rapazinho de 10 anos, com medo e ansiedade como o meu avô o descreveu. A última coisa que fica a flutuar na minha mente é a imagem de felicidade das pessoas, de liberdade pura, de nervoso miúdinho com medo de ser tudo a "fingir", com frases de desconfiança de quem não acredita que o presente está mesmo a acontecer. Mas aconteceu mesmo, e não foi assim há tanto tempo. Tento desenhar tudo o que o nosso país é agora se o regime antes do 25 de Abril tivesse continuado. Mas é muito dificil assimilar essa ideia.
Confesso que, por vezes, gostava de estado lá para ver, mas por outro lado dou graças a Deus por não ter vivido parte da minha vida, ou pelo menos a minha infância durante essa altura. Porém, a minha curiosidade sobre essa mistura de sentimentos que as pessoas que viveram durante o 25 de Abril sentiram, continua. Nunca saberei como é, mas de uma coisa tenho a certeza: apesar da situação política do presente ser crítica, fomos e somos um povo de lutadores e de pessoas unidas, que defende uma vida justa e melhor.
Publicado também aqui. Obrigada ao Francisco Castelo Branco, autor do blogue "olhar direito".
1 comentário:
Também adorava muito ter vivido esse dia. Deve ter sido indiscritível passar dum momento para outro duma ditadura que enterrou gerações de portugueses em guerras, fome, opressão e tanto mais, para uma democracia.
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