7 de março de 2009

Tempestade sem estragos

O meu computador morreu. Pelo menos por enquanto. Agora tenho o portátil do meu pai.

A sensibilidade voltou, e apercebi-me através da música. Pie Jesu, não sei de quem é. Sei que estava a tocar e senti a música duplamente cá dentro.
As palavras giram em torno de ti e tu não as vês. Cada vez com mais força. E se não vires rapidamente, a brisa vira vendaval. Mas o pior não é as voltas que as palavraste dão agora, o pior é depois. Depois vais dar conta do silêncio, da ausência das palavras e não vais suportar. Ou não.
Os meus olhos a atravessar a sala, o sol e o dó, e o dó e o ré, o ré e o mi, o mi e o fá. Sustenido. E ficamos aqui. Não posso dizer mais nada, tenho medo do que aconteça. E se parar agora, será a maior tempestade de sempre. Não, não pode ser assim, não posso girar em torno de ti muito tempo. Faz-me mal a mim, faz-nos mal a nós. Entende que os mundos são diferentes. Olha, anos-luz. Estamos a anos-luz ainda.