17 de maio de 2009

Qual fim?

Deve haver alguma teoria que exprima o que vou tentar fundamentar – disse-me com ar de quem sabe exactamente o que vai dizer – quando as pessoas dizem que alguma coisa chegou ao fim, seja física ou psicológica, não posso acreditar nisso. Falando primeiramente nas coisas físicas, uma estrada acaba? Os becos sem saída podem realmente não tê-la, mas se voltarmos as costas há sempre um caminho à nossa frente, não é verdade? O mesmo acontece com os pássaros, as pessoas, os animais. As acções têm um início mas será que têm mesmo um fim? Se pensarmos que as acções têm consequências então as consequências são o seguimento de alguma coisa que irá começar outra. Até morrermos, não sabemos para onde vamos. Não se pode efectivamente dizer que é o fim.– Mas avô, as pessoas terminam os pensamentos! Não estão sempre a pensar no mesmo, não é assim?– Pequena, é verdade que não estamos sempre a pensar o mesmo. Ao racionalizar, tudo tem influência em nós mais tarde ou mais cedo. Até os pensamentos vagos acabam por voltar um dia. Nós é que já não nos lembramos deles. A consciência acompanha-nos sempre. Entendes o que te quero dizer?


Publicado na Minguante.

1 comentário:

N R disse...

A uma teoria um pouco parecida com isso - e é, junto com a do Eterno Retorno, a minha favorita. - O efeito borboleta, o bater das asas duma borbolete em Pequim, pode provocar um mês depois, um furacão em Nova Iorque.