28 de junho de 2009

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Assim ao longe, eu vi o escuro, denso, irremovível, transportavel, mutante, mas sempre escuro. Não tive medo. Acho que só a meio da queda é que me apercebi que estava a cair. Os meus pés não sentiram o chão, e por momentos, achei que ia chegar ao fim. Mas não. Ao príncipio foi doloroso, saber que estava a cair dentro do buraco, sem cordas, sem escadas, sem mãos fortes, sem pára-quedas, sem nuvens de aladino. Sendo eu impulsiva de natureza, não senti o perigo a levantar-me a blusa, nem tão pouco o esvoaçar do cabelo que me fez fechar os olhos. Agora habituei-me à ideia de estar a cair, de não ver o fundo (ainda), de poder viver sem o escuro que me rodeia. É só fechar o olhos e posso viver a minha vida, ansiando por momentos de suspensão mas não chegando ao desespero (ainda), recriando o meu dia-a-dia, envolvido num teatro de improviso que me permite respirar, embora tipo-máscara-de-oxigénio. Quem me dera ter percebido que o negro era mesmo transportavel a sério, e tivesse corrido para a luz do candeiro mais próximo. Agora só falta cair e ver o que acontece. Oxalá não me aleije muito.

2 comentários:

Teresa disse...

Vou comprar todas as lanternas que houver na loja e um colchão. Para iluminar o teu caminho e amparar a tua queda. E, claro, dar-te a mão. Nada disto evita a queda, mas talvez impeça que te aleijes muito.
Oxalá.

Íris Jesus disse...

lindo texto...
amei mesmo! beijos!