4 de junho de 2009

mon coeur

Primeiramente isto aquilo isto aquilo... E nada é primário.
Das vezes que olho para dentro dessa caixa artificial em forma de coração só vejo coisas secundárias que consideras primárias.
As coisas artificiais não são resistentes, por isso é que tens tantas suplentes. Estás sempre preparado para esse tipo de coisas. De cada vez que mudas a armadura ela torna-se mais teimosa, mais à tua maneira, imperscrutavelmente à tua maneira. E eu fico a olhar, atravesso o olhar pela tua forma de coração e tento ver se há primariedades coincidentes com as minhas. Raramente as encontro. Não sei se é do tipo de armadura que usas se é dos meus olhos que querem ver tudo libertinamente como uma criança que vê mil formas de um desenho, e acabam por não ver o essencial. Mas o essencial não é invisível para os olhos? Diz-se que sim.
un deux trois
Quando estás a olhar para mim ainda vejo um luzinha que me diz que o sistema está ligado. O sistema falha é muitas vezes. Devias insistir em fazer uma ligação directa ao meu coração. É que o firewall do sistema é demasiado seguro. Não faz mal apanhar a rede de vez em quando. Assim, se calhar era mais fácil entenderes as minhas primariedades. Palavra feia: primariedades. É como a palavra curiosidades, mundana, suja, interesseira, fútil. Curiosidades no jornal, num trabalho de história, na reportagem da sic, no horóscopo da semana. Curiosidades em todo o lado. Primariedades em todo o lado. Toda a gente se foca nas suas. Estou aqui a tentar fazer um esforço por encaixar as minhas com as tuas, as minhas com as tuas, com as tuas as minhas. Não soa lá muito bem.
Encontrei uma, uma vez. Andava a passear fora da armadura e eu apanhei-a para dentro do meu coração em forma. Por enquanto ainda não fugiu.
quatre cinq six

1 comentário:

Anónimo disse...

Ritinha,o texto tá lindo! ainda dizes que eu é que tenho jeito para escrever... tens imenso jeito! continua assim, coração! beijo. alexandra quarenta :)