1 de julho de 2009

claro-escuro-1

"Um dia vais pla rua como quem
já não deseja nada deste mundo:
olhas prò céu, reparas no inferno
e todas as pessoas são iguais,
inocentes obstáculos povoando
a memória indelével. Continuas,
atravessas o parque e de repente
encontras o regresso já perdido
no dia do juízo. Fica aqui,
coisa inútil que alguém deixou arder,
resto de prata acesa em mil estilhaços
e espera pelo último semáforo,
pla última canção perto da noite
até que o vento seja o teu destino"

Fernando Pinto do Amaral

2 comentários:

Joana ' disse...

Pode ser só uma questão de orgulho... Mas tenho medo que seja algo mais!
Eu e o meu medo irracional...

Beijinho

N R disse...

Gosto muito desse poeta. Actualmente, acho que só o Herberto Hélder é melhor. Mas esse também está noutro nível.