16 de julho de 2009

passeio

Dizia-me ela que as borboletas só poisavam nas flores amarelas. Aquelas palavras a sair da boca dela, cheias de mel e doce de morango, eu a rir e a dizer que não era só nas amarelas, que as borboletas não tinham preferência, poisavam em todo o tipo de flores, que a cor não interessava, que eram amigas de todas. Mas ela insistia que não era assim. "As borboletas são amigas de todas as flores mas as amarelas é que são as verdadeiras, as outras só as visitam de vez em quando" - dizia-me. E eu continuava a rir, divertida. Entretanto ela falava com as flores. Passava-lhe as mãos muito levemente e cheirava, e depois estendia-me a mão para provar que as flores eram as plantas mais bem-cheirosas de todos os jardins do mundo. Eu dizia que sim, que era verdade. Depois contou-me o seu sonho, muito baixinho, porque não queria que as flores soubessem: "Um dia vou ter um jardim, vou plantar muitas flores e elas nunca vão morrer. Depois, vou ensinar às borboletas que não interessa de que cor são as minhas flores, porque se quiserem entrar no meu jardim vão ter de poisar em todas. Assim nenhuma fica triste. Não achas?"

3 comentários:

Catarina disse...

os teus textos sao magicos rita :)

N R disse...

Seria um grande jardim.

débora miriam disse...

gosto mesmo muito do teu blogue :$ , vou por o teu link no meu , importas-te ? :$

está mesmo .. é apaixonante de ler !