26 de outubro de 2009

é um livro fechado, como alguém dizia.

«preciso de continuar a acreditar no amor ainda que ele queira esconder-se dentro da minha mão»

às vezes o amor esgueira-se pelos dedos e aloja-se nas nossas mãos. quieto, medroso, incapaz de enfrentar o resto do corpo, espreita o mundo lá fora e vai morrendo devagar.
uma morte lenta e tranquila, quente e oportuna.

às vezes o amor consegue sair do abrigo e renascer outra vez, passeando pelo corpo todo sem medo ou constrangimento. mas isso, só acontece em casos excepcionais.

às vezes gostavámos de acreditar que o amor teria coragem para sair de dentro da nossa palma da mão, e acreditamos com muita força, mas não chega.

e então, começamos a pôr o amor em tudo o que fazemos e esperamos. uma espera dolorosa e confortável, enquanto tocamos os compassos de uma 2a vez, colocamos a água na chaleira para fazer o chá, olhamos no vidro embaciado da casa de banho a nossa cara distorcida, vamos ao café com alguém que não vemos há muito tempo, falamos ao nosso cão com palavras que não existem.

e, se alguém com quem mantemos esta luta, ouvir a nossa música, beber um gole da nossa chávena, rir connosco das coisas mais banais e perceber a nossa linguagem como ninguém, então o nosso corpo volta a ganhar vida.

e, ás vezes, podemos deixar o amor esconder-se durante um tempo sem que se abandone à morte e nos deixe para sempre um lugar vazio na palma da mão.



se alguém quiser ouvir ao vivo, brevemente deixarei as datas e os locais. grande concerto garantido.

1 comentário:

Miss disse...

Podemos falar uma vida inteira sobre o amor, e no final não concluimos nada.