10 de março de 2010

i hate ordinary things

ouve-se o click do cinto a fechar e a sensação é a mesma.
o perfume, seja ele de que marca for, o cheiro a chesterfield, e as mordidelas no lábio: tal e qual.
talvez um pouco de pastilha de menta, também.
fecho os olhos e consigo subir o som do rádio.
acerto no botão à primeira.
encosto a cabeça à mão direita e espero pelo olhar curioso e quente que antecipo inconscientemente. volto-me nesse instante e sorrio, uma milésima de segundo antes do olhar intrigado.
ouve-se o click do cinto a fechar e a sensação é a mesma.
por aqui gosta-se de poesia, digo. já sei entoar de maneiras diferentes e tudo.
como nos exercícios teatrais. mas aqui não há teatro, nem nada que se pareça.
aqui há de tudo um pouco, (e de tudo um pouco inclui-se o silêncio)
há alturas em que me apetece ficar e acreditar: começo com filosofias da treta.
ninguém percebe, eu sei. nem eu própria.
não faz sentido, provavelmente.
é só uma armadura. sim, porque eu também a tenho.
esteja quem estiver, chova ou não.
ouve-se o click do cinto a fechar e a sensação é a mesma.
até os arranhões nas costas das mãos.
essas mesmas que depois se lavam e tornam a lavar e o cheiro é sempre o mesmo.
cheira bem: cheira a manhãs quentes e cafés a escaldar.
e à brisa do mar.
começam os romantismos. deixa pra lá, oiço do lado esquerdo.
eu deixo. deixo porque a minha veia intolerante começa a pulsar mais forte.
é exactamente nesse momento que digo para mim mesma: game over.

1 comentário:

FAQ(er) disse...

Um coisa boa dos jogos: para além do "game over", tem mais opções jeitosas, do tipo... "continue" ou, muito simplesmente (e se estivermos com paciência para fazer tudo de novo), "start". :)