19 de maio de 2010

cá de baixo, dos humildes

nunca gostei muito de pedestais. dão-me tonturas. olhar para algo lá em cima, só as estrelas.
as visões do mundo são tão subjectivas e, por isso, distintas, que às vezes temos tendência a subir a um pedestal e proclamar as nossas orações incontornáveis e universais quais santos antónios. a diferença é que não nos calamos e não somos estátuas. bastaria subir ao pedestal? não, há que inferiorizar quem não percebe nada de teorias e de visões desenvolvidas sobre alguma coisa, ainda que essa coisa seja a forma diferente do número da porta do vizinho. ou até mesmo o amor, quem sabe?

um dos problemas dos pedestais é que estão demasiado altos para se ouvir o que, supostamente de baixo, se sussura. em vão. se sussura.

"esse era o segredo que só o tempo guardava. só o tempo revelaria tal milagre. o tempo, a sensibilidade de quem via o tempo diante dos olhos a acabar-se a cada dia" (valter hugo mãe)

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