14 de junho de 2008

Aqui, perto do fim.

Andei estes últimos tempos a guardar na minha cabeça frases inacabadas de temas diferentes sobre os quais poderia escrever. Não os passei para papel e agora estão guardados num cantinho próprio da minha mente, que ainda não descobri como "aceder". Sendo assim, vou deixar aqui o que me apeteceu escrever hoje.
Estou sentada em cima à beira de uma das muitas lajes brancas de mármore que aqui se encontram, nada intimidada com o cenário de pesada tristeza que me rodeia. Há poucas pessoas neste espaço. Começou agora a tocar o sino da igreja, mesmo aqui ao lado. Vejo que das poucas pessoas que se encontram em frente às campas dos seus entes ou até não, a maioria são idosas. Não gosto de aqui estar, mas já que estou observo os movimentos com bastante admiração. Chamou-me à atenção uma, em particular. Dos seus 40 e tal anos perto dos 50 talvez, esta mulher acaba de se agachar em frente a uma laje pequena. Muito solene, olha vagamente as ervas pequeninas acastanhadas que estão sob a pedra. Subitamente retira do saco velho ao seu lado, uma pequena vela que acende com um isqueiro que retira também do saco. Pega nas flores que traz numa jarra e muda-as para a jarra branca em frente da campa, enquanto as lágrimas lhe descem pela face, silenciosamente. Coloca uma rosa amarela sobre a laje e entrelaça os dedos, escondendo a cara entre a saia preta.

De forma carinhosa e rosto vermelho, está neste momento a passar as mãos pela pedra branca. As mesmas mãos que devem ter abraçado o seu falecido filho, no momento em que o viu nascer.

It's for you, aunt.



1 comentário:

Gonçalo disse...

Muito bonito este teu texto...