
O meu vestido verde clarinho rodava feliz, instantaneamente. A vontade de se soltar levava-me sempre mais longe. As minhas pernas acompanhavam a tua dança e eu agarrava ao de leve os bolsos do teu fato cinzento, e cheirava de vez em quando o perfume do teu pescoço, com malandrice. A tua gravata castanha mal apertada, era logo um sinal do teu ar, viril, bem despreocupado. Dançávamos na rua, descalços. O nosso cenário descontrolado, pela primeira vez formava-se calmo. A música soava controlando os nossos corpos, envolvendo-nos numa dança de tranquilidade. Dançámos e dançámos a mesma música vezes sem conta. Fetiches do amor. Acabámos por beber um copo, dois, três... Olhamo-nos perdidamente nos olhos, os meus âmbar, os teus cor de lima transpareciam todos os caprichos do coração. Passava vezes sem conta a mão pelos teus caracóis, sistematicamente sorria. O meu vestido estonteante, já amarrotado de tanto baloiçar estava mais perto do repouso.Não tardou, para que a minha almofada branca substituísse a nossa simplicidade, que a música se desvanecesse em segundos como o meu sorriso, que quase de forma habitual guardasse o brilho dos nossos olhos num cantinho do meu coração e que o meu vestido verde clarinho se transformasse na minha camisa de noite. No entanto, tenho um sentimento real que insiste em ficar comigo, todas as manhãs.
Foto: Priscila Tessarini
3 comentários:
É um texto muito bonito esse... :)
Ia fazer um comentario sobre a pergunta!
Já nao vou pq nsei o q diga... :)
Obrigada por ilustrar seu texto com uma fotografia minha e, principalmente, por ter colocado os créditos! Continue escrevendo, sempre, e muito e com a alma! Um forte abraço!
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