Há coisas difíceis de explicar. Isso sim é um bom desafio. A música é a coisa mais difícil de explicar, para mim é claro. Quando ouvimos uma música bonita, é uma mera música que podemos cantarolar quando queremos. Tocá-la é outra coisa. Tocar uma música é senti-la dentro de nós de maneira diferente, e sem o mínimo dos desígnios provocar sentimentos e emoções ao mesmo tempo. A intensidade dessas sensações chega-nos do estômago ao coração. Revira-nos de tal modo, que ansiamos por mais música até ficarmos viciados. Não há que ter medo das melodias, dos sons, das pausas, dos erros. Música também é erros. A insegurança que podemos eventualmente sentir, é estranheza pois a música por vezes é bela demais. Músicos. Têm uma característica especial e fantástica. Podes não conhecer verdadeiramente ninguém, podes nem sequer querer conhecer e até podes não gostar dos ideais de vida que as pessoas que lidam contigo todos os dias seguem. Mas se tocares com músicos, há pelo menos um momento em que tudo faz sentido para ti e para as pessoas que estão à tua volta. Músicas são puzzles. Pessoas encarregam-se de os "encaixar". Músicos partilham mundos que coincidem, sabem exactamente em que compasso se situam, se tiverem sensibilidade na música. Por vezes, mesmo os que não a têm. Música é sentir no corpo aquilo que se faz com a cabeça e com o coração. São essas horas em que me sinto satisfeita por saber que há pessoas que partilham das minhas emoções, sinto e volto a sentir o meu estômago às voltas, de forma positiva. Uma manifestação da minha exaltação. Faço a minha parte, e sem stresses desfruto de uma boa melodia e penso para mim que sou feliz naquilo que faço, não só pelas pessoas que tocam comigo mas pelo que as músicas mudam em mim. Músicas são desafios. O mundo da música pode não ser vulgar, mas para mim é inabalável porque sei que ali algo faz sentido. Sempre. As paredes de notas que me envolvem e protegem são seguras. Nós, músicos podemos sentir todas estas coisas, diferentes, até mesmo indescrítiveis, para quem ouve de "fora".Assim como qualquer outra coisa na vida.Pergunto-me como é que alguém pode passar pela vida sem sentir a reviravolta de exaltação no estômago ao entrar em palco perante pessoas que desejam ouvir umas QUANTAS notas que soam bem todas juntas? Talvez eu seja um POUCO exagerada.
Tocar música é excedermo-nos, é procurar os nossos limites sem sabermos; é brincar com claves, compassos, andamentos, notas, repetições, ritmos...
Música é felicidade.
Foto: Banda Filarmónica de Ferreira do Alentejo
2 comentários:
Não conheço a exaltação de que falas. Na verdade, quando aprendi solfejo as notas, claves e compassos não faziam muito sentido para mim. A música foi uma descoberta que fui fazendo com os anos e uma aprendizagem. Não sei o que a música provoca em quem a toca, como não sei o que a literatura provoca em quem a escreve, sei aquilo que sinto quando ouço ou leio algo que gosto. Sentada na plateia de um concerto, ocorreu-me que a música é uma mistura de emoções, de quem toca e de quem ouve. Será?
Como eu te compreendo, a musica esta dentro de nós, bem cá no fundo e todos os erros que nós cometemos, por exemplo quando nos esquece-mos de dar uma simples nota, quando não conseguimos dar um conjunto de colcheias….enfim.
Será que a musica já faz parte da nossa vida e que sem ela jamais conseguia-mos viver? Se calhar estou a exagerar um pecado, mas o que e certo é que enquanto tocamos por vezes nos emocionamos, e isso alguma coisa quer dizer.
Bjinhos
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