10 de agosto de 2008

Da infungibilidade

Eu gostava dos bons tempos de antes. A vida, o ar cheiravam a liberdade e alegrias repentinas. Cheirava a lençóis lavados, maresia sem mar, e havia uma misteriosa aragem sem vento. As músicas entravam-me tão docemente como o respirar de uma criança, e ouvia-as e dançava-as com pura vontade. Agora oiço-as e trazem-me uma saudade agoniante, uma vontade de voltar ao passado e não voltar. Esquecer. Mas não se pode esquecer o que passou a fazer parte de nós. Eu sentia uma felicidade sem ter de pedir por ela. Sem ter de pensar “como eu gostava de ser mais feliz… daquela forma”. Fui mal habituada, foi o que foi. Agora sou feliz com tantas coisas, eu não tenho de que me queixar. Tenho pessoas insubstituíveis que gostam de mim, e que gosto delas. Chamam-se amigos. Mas nem a todas as pessoas podemos chamar esse precioso nome. Não.
Falta alguma coisa. Falta-me aquele cheiro infungível que o amor liberta.

1 comentário:

M. disse...

quis acreditar que nada é infungível.

muito bom blog. muito boas escolhas

beijnho*