20 de janeiro de 2009

As meias dos escuteiros

No outro dia andava à procura de umas luvas nos meus armários e encontrei-as. Arrumadinhas, azuis escuras, gastas, velhas, com o seu próprio padrão. As meias dos escuteiros, provavelmente não as minhas originalmente, provavelmente trocadas com outras pessoas. Olho para elas e sei que lhes faltam as jarreteiras, olho e sei que também sentem saudades da terra, das ervas, das roupas espalhadas pelas tendas, do sol inspirador, da chuva a bater na tenda, das vozes dos chefes a rondar à noite, das aventuras, dos mapas, dos desafios mais loucos, das actividades mais sujas, do lavar os dentes com garrafões de água, da alvorada, da linguagem gestual, do som dos apitos, das apresentações, dos lenços sujos, dos chapéus cheios de crachás, da troca de emblemas, da cumplicidade escutista. Olhei para elas e apeteceu-me chorar, sabendo que a razão de ter abandonado o escutismo não foi na totalidade culpa minha. Onde não há espírito escutista, não há escuteiros. Há indivíduos com fardas incompletas.

2 comentários:

Anónimo disse...

escuteiros x') * gmdt miuda

Joana disse...

ja saistes a muito tempo?
eu tb sou escuteira, pioneira :)
mas como se diz: escuteiro uma vez, escuteiro para sempre.