19 de janeiro de 2009

Tea II

"Esse gosto, uma vez ancorado em nós, já não nos larga, agarra-se a nós, preso ao nosso paladar como uma ventosa. Firmemente, indubitavelmente, para sempre.
Do chá somos devotos, fiéis servidores, simples e autenticamente.
Durante muito tempo, bebi o meu chá de manhã cedo, depois a todas as horas, às horas em que a sede se torna mais intensa, nas horas tépidas, assim como nas horas quentes, nas horas apaixonadas como nas horas frívolas, nas horas tristes como nas horas de esperança.
O importante é beber o chá que convém à nossa natureza. (...)
O chá é também um pretexto para não ficar indiferente ao que em redor da mísera chávena instalada diante de nós. O chá é então um filtro único para corresponder-se com os outros. Toda a medida do tempo se confunde nele. (...) No fundo da minha chávena abordo a vida com entusiasmo e inquietação pois leio nela o seu impenetrável destino. Sobre o chá repousam todas as pátrias reunidas. Será o homem que está sujeito ao chá ou o contrário?
Mas é preciso voltar, constantemente, ao gosto, a esse ponto de mina manifesto que se parece com um arrepio"
Noirmoutier, Les Enclauses, Paris.
Junho- Agosto 1997

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