8 de julho de 2009

parte 34576

Não interessa onde, quando, quantas vezes, como, com quem, porquê, para quê. Aquilo que está dentro do meu peito, do lado esquerdo, no mediastino médio, dá-lhe para começar a saltitar e mexe com todo o sistema. As veias e as artérias estreitam, e vá de bombar com toda a força. São pancadas secas para cima para baixo (para trás e para a frente?). Desorganiza tanta coisa em geral, que só passado umas horas volta a recuperar e a enviar as ordens correctas e temporizadas para o meu corpo. Pobrezito, ele não tem culpa. "E o corpo é que paga..". A questão é quanto tempo sobrevive este coração preso por um girar de maçaneta ou de um abrir de porta de um carro. Quantos mais sustos terá ele que apanhar para se convencer de que mais vale estar quietinho aqui no meu peito, do lado esquerdo, no mediastino médio? É como, "vá, vamos atravessar a passadeira, dá a mão à Rita, olhamos primeiro, e... pronto, já estamos do outro lado." Quanto tempo precisará ele para se convencer de que isto se trata, nada mais nada menos, que atravessar uma passadeira? Ah, ele não quer atravessar para o outro lado. Disse-me no outro dia. Não que eu não soubesse.


(é incrível como nunca me canso de escrever sobre isto. acho que para isto há uma fonte inesgotável de palavras em mim.)

1 comentário:

Joana ' disse...

Acho que todos temos um isto que nos inspira... Uns gostam do isto que têm, outros não!