2 de setembro de 2009

the best you can is good enough



eu não queria mudar de quarto. mas tu chamaste-me e olha, ninguém resistiria, ninguém ficaria à porta, ninguém ficaria com um único beijo de boa noite. de manhã acordei inundada em paz e com uma sensação quente no estômago. abri os estores e a janela emanou um calor do sol que já começava a nascer e a luz correu o tapete, a colcha da cama, e ficou sobre ti. olhaste para mim com um silêncio de dissabor matinal mas eu limitei-me a sorrir. habitua-te, sim?

onde é que vais? sussurraste.

desci as escadas devagar, ansiosa e divertida, como uma criança que acorda com a alegria de um novo dia cheio de possibilidades e brincadeiras. armada em dona de casa liguei a torradeira, cortei várias fatias de pão, abri o frigorífico que nunca antes tinha aberto e soube exactamente onde estava o doce de melão e a manteiga. só depois de barrar a última torrada é que me apercebi que estavas sentado nas escadas a rir a bandeiras despregadas. pisquei-te o olho e lá desceste, com o cabelo todo desajeitado e olhos sonolentos. chamaste-me barulhenta e desajeitada. encostamo-nos os dois, lado a lado à bancada, a preparar um leite com chocolate, trocando, pelo meio, olhares cúmplices e beijos rápidos.

foi assim que nos encontraram, felizes como dois putos, a preparar o pequeno-almoço.

1 comentário:

cristina disse...

Um texto muito bonito :)