13 de setembro de 2009

estás nos pontos mais subtis do meu dia, mas enfim, estás.

não ouves, meu amor,
o som do vento a bater na janela?

o amola-tesouras que adivinha chuva, as formigas de asas grandes que adivinham
chuva
o meu amor que adivinha: chuva.

(e depois vens dizer-me ao ouvido que os meus olhos são mais certos que qualquer método tradicional)
-

hoje não posso.
eu só queria um beijo
e talvez um mão sobre o meu ombro
e não tinha insónias
e não me levantava para comer
e não tinha calor
e não precisava de me despir
e dormia melhor
e sonhava
e eu
hoje só queria um beijo. mas porquê, porquê, porquê?



não ouves.


meu amor, amanhã chove?

3 comentários:

Lago Mudo disse...

Curioso como nos surpreendemos quando vemos descrito o que sentimos, ou vemos sentir, nas palavras de outros, que o expressam muito melhor do que nós próprios... curioso, pois sabemos que somos feitos do mesmo barro e energia, e esquecemo-nos de que a intensidade não implica raridade (nem ser único).

margarida disse...

está lindo

N R disse...

Estás cada vez mais versátil. A imaginação das tuas histórias não era pouca e agora ainda nos surpreendes com estes excelentes, bem sentidos e complexos. Parabéns :D
(tenho a certeza que amanhã acabará por chover)