eis que o tempo arrefece e as pessoas olham pelos vidros dos carros para o sinal vermelho com a tal ansiedade. eu passo e penso no que as pessoas pensam. e depois chego ao que eu penso. sorrio só de pensar que talvez não pensem mais do que na estrada, no caminho que falta até casa, onde alguém está também à espera deles, talvez no sofá, tavez na cozinha, talvez em lado nenhum. a espera no semáfora é, para mim, a espera das tuas mãos a agarrar as minhas. os teus dedos a descreverem círculos invísiveis na palma da minha mão.
eis que o tempo arrefece e no café todos os olhares se dirigem para ti assim que empurras a porta, é a gripe, é a gripe, nunca se sabe quem entra, nunca se sabe se vêm acompanhados estes jovens descuidados, estes jovens inconscientes, estes pequenos aprendizes da vida. sento-me, sentamo-nos aliás, e falamos disto e daquilo, daquele vestido verde, daquela miúda do oitavo, da professora de inglês. mas eu só queria as tuas mãos, só queria as tuas mãos pousadas sobre as minhas, porque está frio, o tempo arrefeceu, e nós não temos tempo para parar nos semáforos.
1 comentário:
«(...) estes pequenos aprendizes da vida».
Tantas vezes me sinto assim, dotada dessa pequeneza... E também nunca tenho tempo para parar nos semáforos, por assim dizer.. *
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