25 de maio de 2011
peace of mind
e eu sinto outros mundos dentro do meu mundinho. surgem-me gestos vulgares de um mundo normal, num mundo quente e controverso,será possível? ardem-me os olhos e fico irritada. não me digam nada: não vou responder.
e eu sinto os vidros nos pés, da loiça partida, que não chegaram a ser varridos. escondem-se atrás das coisas. dói-me a planta dos pés como a planta da mão, onde estão escritas as consequências futuras de tanto vidro partido.
e eu sinto o calor abrasador nos ombros, que me lembram suor e pó, que me lembram o cheiro da pizza, o sal e a frieza das almas em pleno verão. lembro-me vagamente de dois ou três filmes que te fizeram rir.
e eu sinto a inutilidade das pessoas inúteis, das pessoas que passaram por nós como fantasmas sem sabermos, e reencarnaram no seu estado mais puro de pecadoras. lembro-me perfeitamente do equívoco em que nadei, ondas grandes, areia branca, pouco sol.
e eu sei que no fundo do mundinho mais estranho do meu mundo, estão os momentos mais difíceis e inacreditáveis que um dia me pertenceram e que, no entanto, nunca sentirei como se tivessem sido meus. fecho à chave a porta e exijo-me silêncio.
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