20 de junho de 2011

amor incondicional

o mais estranho é ter medo que vás embora. é saber que em breve te perco, e mesmo que estivesse tudo bem te perderia na mesma. tenho medo como quando eramos menininhas e dizias que querias ser actriz e eu guionista e achavamos esses dias tão longuínquos que impossíveis. tenho medo por te conhecer por dentro e saber que ainda gostas de mim. não achei que fosse assim, achei que fariamos os planos juntas, e a vida mudou tanto.


o mais estranho é não conseguir ficar zangada, odiar-te mais de trinta segundos - que se seguem de memórias felizes -e ao mesmo não conseguir gostar de ti e manter esse sentimento. destruímos isto tudo, sem sabermos, aos poucos. fomos preparando uma bomba que explodiu sem nos apercebermos do que tinhamos criado, e as nossas mãos enchem-se de culpa e de tristeza.

não caminharemos mais ao fim da tarde, nem seremos sonhadoras de séries apaixonantes, nem veremos filmes em que nos tornamos as personagens loucas.

não me digam que o mais importante é guardar as boas memórias e relembrar os momentos felizes, porque o ideal seria ter-te aqui comigo, dizer-te todas estas coisas sem medo, abraçar-te sem ressentimento. o ideal seria sermos quem éramos.

penso que não estimei ninguém como tu, nem perdoei mais a alguém senão a ti.

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