13 de agosto de 2008

Ainda há pessoas assim


«Como é a tua melhor amiga?»
«É uma pessoa diferente. Alguém a quem não preciso de pedir por um abraço, nem pedir que me entenda. Compreende-me com um simples olhar nos meus olhos. Um olhar que conhece bem todos os meus outros olhares. Não preciso de agradecer-lhe, porque o faz do coração. Eu sei, porque sei. Há pessoas que nos fazem muito felizes, de maneiras diferentes e conhecer essas formas de fazer feliz os outros é importante. Mas para isso, temos de conhecer as pessoas. Os amigos, os verdadeiros, não nos deixam sós. Não falo principalmente em distância física, mas em distância psicológica. Do coração de uma pessoa ao coração da outra, da ligação dos sentimentos mútuos. Por vezes é como se a nossa amizade se tratasse de uma ligação à internet. Por vezes cai mas volta sempre a conectar com o computador. Outras vezes não caí, mas há má ligação. Mas no fundo há sempre ligação. Ora, claro que isso é o menos. As alturas boas quase sempre se sobrepõem às más. Gosto quando me lê coisas baixinho, bonitas ou tristes, ou (como quase sempre) as duas coisas; ou quando me mostra uma música nova, diferente ou alternativa; quando simplesmente há silêncio entre nós, não é silêncio constrangedor, é silêncio de cumplicidade. Somos diferentes em várias coisas, mas acho que somos ambas difíceis, (partindo do principio que as mulheres são em geral um pouco complicadas), e se não fosse assim não tinha tanta piada. Com qualquer outra pessoa, não aprenderia com tanto gosto as coisas que me ensina, não. Sabes porquê? Porque gosto muito dela. Assim, tal e qual como é, sem tirar nem pôr. Também tens alguém especial?»
«Dessa forma, não. Mas gostaria. Como é que s encontra alguém assim?»
«Queres saber a verdade? Nem eu sei. Acho que não se procura, simplesmente encontramo-nos uns aos outros, pois quando as ligações são realmente fortes, há uma linha de ouro invisível que nos une.»

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