10 de novembro de 2008
Fotografias
Hoje estive a ver todas as fotografias que tenho em pastas no computador. Cada uma com o seu mais delicado significado. Dói ver o meu grupinho de dança em fotografias, todas com roupas ousadas e estilo hip-hop; dói ver as fotografias do skate quando começámos a andar (eu e 4/5 amigos) e saber que agora já quase não há tempo para fazê-lo; dói ver as fotografias dos anos, que nunca mais vão voltar, que lembram os jogos que podiamos fazer sem vergonha, sem medo, com entusiasmo; dói passar pela pasta das fotografias da família e ver que alguns já não estão entre nós, dói muito. Magoa-me ver as fotografias das pastas que dizem "despedidas" mas traz boas recordações também; ver as fotografias dos escuteiros, a pura inocência de querer descobrir tudo o que nos rodeia, e que um dia tudo se tornou em discussões infantis e estúpidas, se tornou numa farda banal, misturada com roupas do dia-a-dia (foi por isto que desisti); dói ainda ver as fotografias da minha antiga escola, com os meus colegas, alguns professores, algumas salas, corredores. Toda a vida que eu amava ficou para trás, agora é uma nova vida. Habituo-me e não me habituo. Porque o meu problema é muito sentimental, tudo é muito sentimental, e as coisas que deixamos para trás são muito importantes para mim. Por vezes tenho vontade de chorar quando penso que nunca mais vou ver amigos que foram importantes para mim e se foram embora: embora mesmo; que nunca mais vou vestir roupas largas para dançar com aquelas miúdas: o entusiasmo da dança: as palmas dos rapazes. Porque eu sou miúda. Sou miúda e gosto dessas coisas, apesar de por vezes não pensar como uma miúda. Sou miúda e pequenina, como alguém me dizia ontem.
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1 comentário:
Muito bom. Espero que vivas o teu presente da mesma maneira intensa como recordas o teu passado. Sabes, ser pequenina não te torna menos madura...
Parabens, Luis
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